A inteligência artificial sob as lentes do antirrepresentacionismo maturaniano: implicações para a compreensão dos fenômenos do conhecer e do aprender
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1067Palavras-chave:
Cibernética, História da ciência contemporânea, Humberto Maturana, Biologia do conhecerResumo
O objetivo deste artigo é discutir a compreensão sobre os fenômenos do conhecer e da aprendizagem humana que subjaz a criação da Inteligência Artificial, a fim de evidenciar os limites das “máquinas inteligentes” frente ao funcionamento do sistema nervoso. Para tanto, é feita uma incursão nos estudos sobre neurofisiologia da cognição publicados por Humberto Maturana no contexto em que a Inteligência Artificial se fortalecia dentro do movimento cibernético. Este estudo de natureza histórica e bibliográfica sugere que as referências e o domínio de interações do sistema nervoso humano, segundo os pressupostos da teoria da Biologia do Conhecer de Maturana, não podem ser reproduzíveis em redes neurais artificiais. A partir dos argumentos do autor, coloca-se sob suspeição a possibilidade de admitir os fenômenos do conhecer e do aprender como processos executáveis fora do âmbito natural e se afirma que a educação consiste em criar para as crianças e jovens um espaço relacional desejável de coexistência humana.
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