Quando o currículo cultural não é dado, mas se faz: cartografia narrativa de um PIBID em deslocamento

Autores

  • Rubens Antonio Gurgel Vieira Universidade Federal de Lavras - UFLA
  • José Francisco Ribeiro Taglialegna Secretaia de Estado da Educação de Minas Gerais -SEEMG
  • João Paulo da Silva Secretaria Municipal de Educação de Lavras - Lavras/MG

DOI:

https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1150

Palavras-chave:

Currículo cultural, Cartografia narrativa, Formação docente, Filosofia da diferença, PIBID

Resumo

O artigo apresenta uma cartografia narrativa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) de Educação Física da Universidade Federal de Lavras desenvolvido entre 2023 e 2024 em duas escolas públicas. A experiência teve como horizonte o currículo cultural, compreendido como proposição aberta de tematização das práticas corporais (NEIRA; NUNES, 2022), mas introduzido a um grupo que não possuía familiaridade prévia com essa perspectiva curricular. O processo formativo, conduzido pelo coordenador por meio de encontros presenciais, virtuais e atividades no Google Classroom, baseou-se em leituras, discussões e experimentações que estimularam a criação de um léxico comum e o desejo de prática. A partir de uma metodologia inspirada na cartografia (PASSOS; KASTRUP; ESCÓSSIA, 2015) e na filosofia da diferença (DELEUZE; GUATTARI, 1995), o artigo analisa três tempos do percurso formativo: o da formação, o da transdução e o da invenção. Os relatos de supervisores e pibidianos revelam o currículo cultural como força formativa e dispositivo de agenciamento pedagógico (VIEIRA, 2022), capaz de produzir deslocamentos na docência, invenções pedagógicas e aprendizagens que se constroem no entre – entre universidade e escola, teoria e prática, corpo e linguagem. Conclui-se que o PIBID, quando atravessado pela filosofia da diferença, torna-se território de devir formativo, no qual o currículo não é dado, mas se faz no contágio das relações e na criação de mundos possíveis.

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Biografia do Autor

Rubens Antonio Gurgel Vieira, Universidade Federal de Lavras - UFLA

Professor Adjunto do Departamento de Educação Física da Universidade de Lavras. Secretário Estadual de Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Doutor em Currículo pela Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (FE/UNICAMP). Mestre em Didática pela Faculdade de Educação da USP. Membro do Grupo de Estudo Educação Física Escolar da Faculdade de Educação da USP e do Grupo de Pesquisa, Linguagem e Práticas Corporais da Faculdade de Educação da Unicamp. Graduado em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Associação Cristã de Moços de Sorocaba (2008). Graduado em Filosofia pela Universidade Metropolitana de Santos. Graduado em Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Santos.

José Francisco Ribeiro Taglialegna, Secretaia de Estado da Educação de Minas Gerais -SEEMG

Graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Lavras e mestrado profissional em Educação pela mesma instituição. Professor da educação básica da Rede Estadual Mineira.

João Paulo da Silva, Secretaria Municipal de Educação de Lavras - Lavras/MG

Graduação em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e mestrado profissional em Educação pela Universidade Federal de Lavras. Professor da educação básica da Rede Estadual Mineira.

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Publicado

2026-01-22

Como Citar

Vieira, R. A. G., Taglialegna, J. F. R., & Silva, J. P. da. (2026). Quando o currículo cultural não é dado, mas se faz: cartografia narrativa de um PIBID em deslocamento. Devir Educação, 10(1), e-1150. https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1150

Edição

Seção

Dossiê

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