As arenas políticas na transição do PNBE - 2014 ao PNLD Literário - 2022

Autores

  • Camila Petrovitch Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Mônica Correia Baptista Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
  • Laís Caroline Bittencourt Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

DOI:

https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1240

Palavras-chave:

Políticas públicas, Educação infantil, Litertaura infantil

Resumo

O artigo analisa as políticas públicas de compra e distribuição de livros infantis para a Educação Infantil, examinando a transição do edital do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), de 2014, para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), de 2022. Com base na análise documental, discute-se como distintas concepções de infância e de literatura se materializam nesses textos normativos, evidenciando disputas no interior das arenas decisórias. No PNBE 2014, a literatura é compreendida como produção artística e bem cultural, inscrita no campo dos direitos das crianças, assegurando diversidade estética, autoria qualificada e pluralidade de gêneros discursivos e projetos gráficos. Nessa perspectiva, o acesso ao texto literário não se subordina a finalidades instrucionais, mas afirma o direito à experiência simbólica, à imaginação e à fruição estética. Já o PNLD 2022 adotou critérios que vinculavam a literatura às metas de alfabetização e às expectativas escolares vinculadas aos resultados acadêmicos, subordinando-a a objetivos pedagógicos normativos. Essa mudança reflete uma inflexão no caráter da política, que, embora permanecesse distributiva, assumiu, naquele contexto, forte viés regulatório ao redefinir parâmetros de seleção e circunscrever a potência simbólica e artística dos livros a finalidades pedagógicas externas ao campo literário. O estudo fundamenta-se em Capella (2016), Lowi (1966) e Kingdon (1997), compreendendo a formulação de políticas públicas como espaço de embates entre coalizões políticas e conceituais. Ao evidenciar as tensões entre as DCNEI (Brasil, 2009) e a BNCC-EI (Brasil, 2017) e o edital do PNLD 2022, a análise sustenta a literatura infantil como direito cultural inalienável e dimensão constitutiva do currículo da Educação Infantil, não redutível a instrumento de escolarização precoce.

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Biografia do Autor

Camila Petrovitch, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Doutoranda em Educação pela FaE/UFMG na linha Infâncias e Educação Infantil. Mestre em Educação no Mestrado Profissional da UFMG. Pedagoga pela UFMG. Tem pós graduação em Educação Bilíngue pelo Instituto Singularidades. Atualmente trabalha como coordenadora da Educação Infantil na rede particular de Belo Horizonte.

Mônica Correia Baptista, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Doutora em Educação pela Universidade Autônoma de Barcelona/Espanha. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Laís Caroline Bittencourt, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Professora Adjunta na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FaE/UFMG). Pedagoga com doutorado em Educação, ela é especialista e pesquisadora em Educação Infantil, com foco em docência com bebês, formação de leitores e coordenação de projetos como a Bebeteca.

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Publicado

2026-07-03

Como Citar

Petrovitch, C., Baptista, M. C., & Bittencourt, L. C. (2026). As arenas políticas na transição do PNBE - 2014 ao PNLD Literário - 2022. Devir Educação, 10(1), e-1240. https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1240

Edição

Seção

Dossiê

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