Do vivido na roça, às lições de escola
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1112Palavras-chave:
Cotidiano rural, Escola da roça, Henri Lefebvre, Método regressivo-progressivo.Resumo
A vida cotidiana de uma pequena comunidade rural revela a perenidade de uma práxis ancestral e fecunda, convivendo com concepções e práticas modernas. A comunidade preserva o que validou no âmbito da experiência, enquanto incorpora e consome, da produção moderna, o que lhe interessa. A lida diária na comunidade, praticada segundo costumes anteriores à industrialização, também se abre para a inserção dos produtos da modernidade. Imersa em diferentes temporalidades, a comunidade rural abriga uma escola. O objetivo desse estudo foi buscar em uma escola do campo a coexistência dessas diferentes temporalidades, e lições da comunidade que poderiam ser incorporadas pela escola. A metodologia empregada – a pesquisa com o cotidiano –, incorporou algumas orientações provenientes da história oral, da pesquisa narrativa, da pesquisa (auto)biográfica e do método regressivo-progressivo. Os resultados do estudo apontam que, herdeira de concepções da modernidade, a escola da roça reproduz proposições que tornam fragmentados e homogêneos o espaço, o tempo, o conhecimento, a prática e a linguagem – ao mesmo tempo em que a roça inscreve, nessa estrutura, outros modos advindos do trabalho coletivo, dos processos lentos e cíclicos, da solidariedade e dos saberes compartilhados.
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