Cognição e inteligência artificial: entre a ciência, a aprendizagem e a experiência
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1115Palavras-chave:
IA, Experiência, Cognição, Aprendizagem, Machine learningResumo
A IA na educação não é recente, mas o crescente uso da IA generativa nos últimos anos impulsionou uma intensa reflexão acerca de como aprendemos, como obtemos conhecimento e também como comunicamos esse conhecimento. A IA generativa reverbera na ciência, na educação e na comunicação científica. O presente ensaio apresenta uma reflexão sobre como a IA pode ser compreendida à luz do conceito de experiência que vem da cognição enativa. Essa vertente da pesquisa em cognição oferece a perspectiva de que toda experiência vem do corpo e de seu movimento no mundo, e defende que é desse movimento que emerge a aprendizagem. Sendo assim, essa concepção de aprendizagem (humana) gera um contraste grande com machine learning, o aprendizado de máquina, que é essencialmente matemático, algorítmico. O ensaio procura oferecer bases filosóficas para essa reflexão, analisando as características humanas frente ao fortalecimento da IA aplicadas a questões como o tempo da aprendizagem versus o que se considera eficiência nesse contexto, e a intensa pressão pela produtividade versus a importância de focar na experiência para que haja boas histórias refletidas nos artigos científicos e em toda forma de comunicar ciência.
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