O ORNITORRINCO RIDES AGAIN
O CRÍTICO DEVE TER ATUALIDADE BEM AGARRADA PELOS CHIFRES
DOI:
https://doi.org/10.30905/ded.v3i1.124Palavras-chave:
Cultura e desigualdade de classes, Análise social da produção cultural brasileira, Cultura e subdesenvolvimento, Pensamento crítico brasileiro: Antonio Cândido e Roberto Schwarz, Teoria crítica no Brasil.Resumo
O trabalho parte da análise de Roberto Schwarz sobre o mal-estar - originalmente identificado por Silvio Romero – na cultura brasileira a fim de demonstrar ser este resultante não de questões raciais, mas de vicissitudes da estrutura social do país, que comporta enorme desigualdade entre as classes. Em seguida, examina a permanência desse mal-estar realçando como tal desigualdade acarretou também a desigualdade cultural; ao mesmo tempo identifica as várias tentativas, historicamente situadas, de superá-lo. Nessa direção, destaca a mudança da “consciência amena do atraso” para a “consciência catastrófica do atraso”, apontada por Antonio Candido, vinculando a essa última a formação de uma consciência sobre o caráter subdesenvolvido do país e identificando criticamente os esforços desenvolvimentistas – sob o enfoque fornecido pela Teoria da Dependência – para superar tal condição. Nesse movimento analítico, o ensaio procura também conectar tal esforço com os movimentos culturais verificados especialmente na literatura brasileira e, em alguns casos, no cinema – sempre destacando a dificuldade das camadas populares de terem acesso à produção cultural mais significativa. Por fim, examina como o Estado Exterminista instalado no país após 1968 soterrou – ou dificultou enormemente – os esforços para superar tal mal-estar e condenou a maioria da população a consumir apenas aquilo que Adorno chamou de “semicultura”. O trabalho termina questionando quais rumos seriam hoje possíveis para a produção cultural desejosa de voltar a enfrentar o problema.
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