Inteligência artificial aplicada à educação: perda de centralidade docente e impactos formativos
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1125Palavras-chave:
Inteligência artificial, Educação, Professor invisível, BNCC, DespersonalizaçãoResumo
A invasão silenciosa da Inteligência Artificial (IA) no cenário educacional tem gerado debates sobre suas potencialidades e riscos. Entre as promessas mais destacadas estão a personalização da aprendizagem, a automação de tarefas e a oferta de feedback imediato. Contudo, os possíveis benefícios podem ocultar riscos éticos e cognitivos, sobretudo quando se utiliza a IA em atividades que são próprias dos docentes, configurando-se como um “professor invisível”. Neste ensaio analisamos os riscos de (des)personalização do ensino diante da centralidade atribuída à IA como mediadora dos processos de ensino. Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo, de caráter analítico-argumentativo, com fundamentação em revisão de literatura e análise documental. No desenvolvimento do tema fica evidente que, embora a IA ofereça recursos que traz inovação ao processo ensino-aprendizagem, seu uso acrítico reduz a interação humana, acentua desigualdades e compromete dimensões éticas, formativas e cognitivas no campo deducional. Conclui-se que, enquanto não houverem estudos de larga-escala sobre as consequências educacionais da utilização da IA, principalmente na educação básica, esta deve ser restrita a ferramenta de apoio a docentes, com o uso pelos estudantes acompanhados por professores e gestores, em práticas formativas que preservem a privacidade e promovam a autonomia.
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