Da Mitopoética à cosmopoética – linguagem e corpo danificados, mundos plurais
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1218Palavras-chave:
Literatura brasileira; mitopoética; cosmopoética; “Meu tio o Iauaretê”; Guimarães Rosa.Resumo
Tendo como base o conto de João Guimarães Rosa, “Meu tio o Iauaretê”, que recorre a uma poética do indizível e do inacabado para integrar corpo e linguagem danificados pela lógica colonial nas Américas, o artigo destaca a importância de uma linguagem que não busca dominar, mas se deixa afetar, abrindo espaço para novas formas de existência e narratividade. Ele dialoga com o pensamento de Donna Haraway, que propõe o pensar com o outro — humano e não-humano — como gesto ético e político de reconstrução de mundos, assim como com os conceitos de perspectivismo ameríndio e de virada ontológica de Eduardo Viveiros de Castro para compreender como as categorias ocidentais de sujeito, natureza e cultura são problematizadas a partir de perspectivas ameríndias. O presente texto investiga, assim, a transição da mitopoética para a cosmopoética como modos de pensar a linguagem, o corpo e a experiência em contextos de crise e descolonização do pensamento. Enquanto a mitopoética atua como uma resistência simbólica e permite escutar mitos e narrativas tradicionais como formas de resistência cultural, a cosmopoética amplia essa escuta para uma prática ética e política de criação de mundos em comum, marcada pela abertura para a alteridade e para a pluralidade ontológica.
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