Professores e inteligência artificial generativa (IAG): mediação, desafios e oportunidades para o engajamento discente
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1116Palavras-chave:
Inteligência artificial generativa, Engajamento estudantil, Educação Básica, Planejamento pedagógicoResumo
Este artigo investiga como professores da educação básica de Manaus têm incorporado a IAG à condução de suas aulas e em que medida essa integração reconfigura dinâmicas de ensino e repercute sobre o engajamento estudantil. Embora o planejamento de aulas constitua o pano de fundo do estudo, o foco analítico recai sobre as práticas docentes mediadas pela IAG, abrangendo processos de criação, adaptação e implementação de explicações, exercícios, atividades e demais estratégias de suporte pedagógico. A investigação, de natureza qualitativa e caráter exploratório, envolveu 40 docentes de quatro escolas públicas e mobilizou múltiplas técnicas de coleta de dados, incluindo questionários, relatos estruturados de experiência e protocolos de observação em sala de aula. Os resultados indicam que a IAG favorece a economia de tempo no preparo das aulas, amplia o repertório metodológico disponível e contribui para práticas mais responsivas e inclusivas, sobretudo no atendimento a estudantes com dificuldades de aprendizagem. Contudo, evidenciam também a necessidade de uma curadoria docente rigorosa para mitigar riscos de imprecisão conceitual, superficialidade explicativa e descontextualização. Observou-se que o uso pedagógico da IAG potencializa o engajamento discente nas dimensões cognitiva, afetiva e comportamental quando articulado a uma mediação crítica e intencional. Os achados reforçam a importância de políticas de formação continuada, de ações voltadas à equidade digital e de princípios éticos de uso da tecnologia, assegurando que a IAG funcione como instrumento de inovação didática sem comprometer a centralidade da mediação humana no processo educativo.
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