Uma mitopoética do catolicismo mineiro: a virgem da Lapa de Antônio Pereira (Ouro Preto- MG)
DOI:
https://doi.org/10.30905/rde.v10i1.1207Resumen
As mitopoéticas suscitam uma experiência de alargamento da rotina do sobreviver cotidiano, mediando conexões com alteridades associadas ao sagrado, à ancestralidade, ao mistério... Tais vivências, por sua vez, favorecem o reconhecimento de que o estar no mundo não se resume ao primado do humano, bem como instigam posturas de coabitação (e não de domínio) em relação ao existente. Neste artigo, iremos refletir sobre critérios teórico-conceituais empregados por uma tríade de intelectuais para interpretar as mitopoéticas: Claude Lévi-Strauss, referência do estruturalismo francês das décadas de 1950 e 1960; Michel de Certeau, bastante conhecido desde os anos 1970 por suas reflexões de cunho pós-estruturalista sobre a cultura contemporânea e as práticas místicas; Leda Maria Martins, importante antropóloga negra brasileira da atualidade, que dialoga com o pensamento decolonial. Nosso objetivo foi atualizar a consideração de tais critérios sob o viés de uma abordagem cosmopolítica e, simultaneamente, contextualizar histórica e culturalmente sua incidência a partir de uma mitopoética específica do catolicismo mineiro, a da Virgem da Lapa do distrito de Antônio Pereira, município de Ouro Preto-MG. Em paralelo, discutimos a atuação de instituições escolares face à promoção da “Festa da Virgem da Lapa”, apontando sua participação como uma estratégia de positivação das identidades sociais locais.
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