Desafios contempor‰neos em educa�‹o profissional: forma�‹o docente, linguagem e pr‡ticas pedag—gicas

 

Contemporary challenges in professional education: teacher education, language and pedagogical practices

 

Desaf’os contempor‡neos en la educaci—n profesional: Formaci—n de profesores, lenguaje y pr‡cticas pedag—gicas

 

Ros‡lia Maria Netto Prados[1]

Rodrigo Avella Ramirez[2]

Cassia Regina Gasparin dos Santos Pereira[3]

Juliana de Souza Lamas[4]

 

 

Resumo

Prop›e-se um estudo da linguagem, discursos e pr‡ticas pedag—gicas para uma reflex‹o sobre a forma�‹o docente em educa�‹o profissional frente aos desafios impostos pelo contexto contempor‰neo. Os discursos educacionais, culturais e socioecon™micos subjazem ˆs pr‡ticas pedag—gicas na educa�‹o profissional. Este estudo fundamenta-se em conceitos te—ricos de educa�‹o profissional, sobre saberes e forma�‹o do professor, alŽm de concep�›es de linguagem e discurso, no ‰mbito da comunica�‹o docente. O desenvolvimento desta pesquisa teve como objetivos, discutir a forma�‹o de docentes em educa�‹o profissional; estudar a linguagem e pr‡ticas educacionais, e respectivos discursos, para se refletir sobre as novas tecnologias e emerg�ncias no processo de ensino em educa�‹o profissional no contexto de isolamento social imposto em fun�‹o da pandemia causada pela Covid-19. Trata de uma pesquisa de abordagem qualitativa, a partir de quest›es suscitadas, ao longo do processo de ensino e aprendizagem, em uma disciplina eletiva de um programa de mestrado profissional. A metodologia constituiu-se de uma pesquisa descritiva e de um estudo da comunica�‹o, tecnologias e do discurso manifestado nas pr‡ticas pedag—gicas em educa�‹o profissional. Verifica-se que a experi�ncia docente reflete discursos pol’tico-educacionais e pedag—gicos em educa�‹o profissional e constitui o processo de forma�‹o do professor.

Palavras-Chave: Forma�‹o Docente; Linguagem e Pr‡ticas; Pandemia; Novas Tecnologias.

 

Abstract

We propose a study of the pedagogical language, discourses and practices for a reflection on teacher education in professional education facing the challenges imposed by the contemporary context. The educational, cultural and socioeconomic discourses underlie pedagogical practices in professional education. This study is based on theoretical concepts of professional education, on knowledge and teacher education, in addition to concepts of language and discourse, in the context of teacher communication. The development of this research aimed to discuss the training of teachers in professional education; study the language and educational practices, and respective discourses, to reflect on new technologies and emergencies in the teaching process in professional education in the context of social isolation imposed by the pandemic caused by Covid-19. It is a research with a qualitative approach, based on questions raised during the teaching and learning process, in an elective course content of a professional master's program. The methodology consisted of a descriptive research and a study of communication, technologies and the discourse manifested in pedagogical practices in professional education. We appear that the teaching experience reflects political-educational and pedagogical discourses in professional education and constitutes the teacher training process.

Key words: Teacher Education; Language and Practices; Pandemic; New technologies.

 

Resumen

Propone un estudio del lenguaje, los discursos y las pr‡cticas pedag—gicas para una reflexi—n sobre la formaci—n del profesorado en la formaci—n profesional frente a los desaf’os que impone el contexto contempor‡neo. Los discursos educativos, culturales y socioecon—micos subyacen a las pr‡cticas pedag—gicas en la educaci—n profesional. Este estudio se basa en conceptos te—ricos de la formaci—n profesional, en el conocimiento y la formaci—n docente, adem‡s de conceptos de lenguaje y discurso, en el contexto de la comunicaci—n docente. El desarrollo de esta investigaci—n tuvo como objetivo discutir la formaci—n del profesorado en la formaci—n profesional; Estudiar el lenguaje y las pr‡cticas educativas, y los discursos respectivos, para reflexionar sobre las nuevas tecnolog’as y emergencias en el proceso de ense–anza en la educaci—n profesional en el contexto de aislamiento social impuesto por la pandemia provocada por Covid-19. Se trata de una investigaci—n con enfoque cualitativo, basada en cuestiones planteadas durante el proceso de ense–anza y aprendizaje, en una asignatura optativa de un programa de maestr’a profesional. La metodolog’a consisti— en una investigaci—n descriptiva y un estudio de la comunicaci—n, las tecnolog’as y el discurso manifestado en las pr‡cticas pedag—gicas en la educaci—n profesional. Parece que la experiencia docente refleja los discursos pol’tico-educativos y pedag—gicos en la formaci—n profesional y constituye el proceso de formaci—n docente.

Palabras clave: Formaci—n de profesores; Lenguaje y pr‡cticas; Pandemia; Nuevas tecnolog’as.

 

 

Introdu�‹o

 

No atual contexto sociocultural e econ™mico, em que se insere a educa�‹o profissional e tecnol—gica, Ž cada vez mais relevante apreender os discursos pol’tico-educacionais e pedag—gicos manifestados nas pr‡ticas docentes e se refletir sobre as linguagens e comunica�‹o. Em um processo de forma�‹o pedag—gica do professor que atua em educa�‹o profissional, Ž pertinente considerar que o sujeito contempor‰neo Ž formado em uma cultura digital, dada a necessidade atual de intera�‹o por meio de diferentes linguagens na comunica�‹o e nos processos educacionais.

A educa�‹o profissional, segundo esse pressuposto, apresenta-se na sociedade contempor‰nea, enquanto experi�ncia tecnol—gica para propor estratŽgias de intera�‹o social ou sociabilidade para atender ˆs exig�ncias sociais e econ™micas. Considera-se que, em um programa de mestrado profissional em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional, justificam-se estudos sobre concep�›es da linguagem, tecnologias e comunica�‹o docente, alŽm da no�‹o de discurso e forma�‹o do sujeito em educa�‹o profissional e tecnol—gica.

A forma�‹o do professor na educa�‹o profissional se d‡ por diferentes discursos educacionais e pedag—gicos e pela produ�‹o de sentidos manifestados por meio de novas linguagens e tecnologias. Desse modo, definiu-se a proposta de uma disciplina eletiva sobre Linguagem e Pr‡ticas em Educa�‹o Profissional, de acordo com o desafio educacional de se (re)pensar sobre os efeitos discursivos que se atualizam constantemente frente ˆs novas tecnologias e ˆ experi�ncia humana da comunica�‹o na atualidade.

Este artigo se baseia em discuss›es vivenciadas pelos alunos que cursaram essa disciplina de Linguagem e Pr‡ticas em Educa�‹o Profissional, em um programa de mestrado profissional em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional, de uma institui�‹o pœblica estadual de educa�‹o profissional e tecnol—gica de S‹o Paulo. O percurso metodol—gico que orientou este estudo foi de natureza descritiva, a partir de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de acordo com a observa�‹o e a an‡lise de apresenta�‹o de semin‡rios de leituras tem‡ticas sobre educa�‹o profissional (PETEROSSI, 2014); educomunica�‹o (KAPLòN, 2014); discurso (MAINGUENEAU, 2008; FONTANILLE, 2008); forma�‹o do professor (GATTI et al, 2019) e tecnologias (SOARES, 2006), alŽm de anota�›es dos autores sobre questionamentos e discuss›es suscitados em sala de aula.

Como objetivos, prop›e-se discutir a forma�‹o de docentes em educa�‹o profissional; estudar a linguagem, a comunica�‹o e as pr‡ticas educacionais, bem como seus respectivos discursos, para se refletir sobre as novas tecnologias e emerg�ncias no processo de ensino em educa�‹o profissional no contexto de isolamento social imposto em fun�‹o da pandemia causada pela Covid-19.

ƒ pertinente considerar a educa�‹o profissional no novo cen‡rio socioecon™mico brasileiro, inserida em uma cultura digital e, consequentemente, seus desafios. A inova�‹o e a melhoria da forma�‹o profissional, em rela�‹o ˆs tecnologias de informa�‹o, s‹o necessidades b‡sicas das empresas contempor‰neas.

Segundo Pais (2007), o homem est‡ inserido em uma comunidade sociocultural, Ž um ser social, cultural e hist—rico. Identifica-se com saberes e valores compartilhados em um determinado grupo, por uma vis‹o de mundo, por um imagin‡rio coletivo. De acordo com o autor, esses valores e saberes habilitam o sujeito ao conv’vio social e conferem aos membros de um grupo a sua identidade cultural, a sua mem—ria social, a consci�ncia da sua pertin�ncia ao grupo e de sua continuidade no tempo. E, quanto ˆ discuss‹o sobre forma�‹o docente na educa�‹o profissional, bem como as exig�ncias da sociedade cultural e socioecon™mica contempor‰nea, justificam-se, portanto, essas concep�›es sobre linguagem, tecnologias, comunica�‹o e educa�‹o.

No desenvolvimento deste trabalho, delineiam-se tr�s etapas: a primeira, Forma�‹o do professor na educa�‹o profissional, apresenta algumas discuss›es conceituais, quanto saberes e forma�‹o docente, debatidas no programa de mestrado profissional; a segunda, Discursos contempor‰neos e a educa�‹o, trata de reflex›es acerca do discurso educacional e exig�ncias contempor‰neas; e a terceira, Comunica�‹o docente, novas tecnologias e pr‡ticas em educa�‹o profissional, em que se descrevem os desafios do contexto contempor‰neo, frente ˆs exig�ncias impostas pelo isolamento social, em fun�‹o da pandemia causada pela Covid-19, alŽm de discuss›es sobre a comunica�‹o, educa�‹o e linguagem, que fundamentam as pr‡ticas pedag—gicas em educa�‹o profissional.

 

Forma�‹o do professor na educa�‹o profissional

 

A disciplina eletiva ÒLinguagem e Pr‡ticas em Educa�‹o Profissional e Tecnol—gicaÓ foi oferecida em 2020, no programa de mestrado em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional, de uma institui�‹o pœblica estadual de educa�‹o profissional e tecnol—gica de S‹o Paulo, de modo remoto, no per’odo de isolamento social, imposto em quase todo o planeta, devido ˆ pandemia da Covid-19. Essa disciplina traz em sua ementa as bases do estudo de linguagem, comunica�‹o e educa�‹o, como o estudo dos signos, m’dias e media�‹o escolar, alŽm do foco em comunica�‹o nos processos de ensino e aprendizagem em educa�‹o profissional e das tecnologias e ambientes de aprendizagem. Teve como objetivos, estudar a linguagem que permeia a educa�‹o profissional e respectivos discursos pol’tico-educacionais e pol’tico-pedag—gicos; estudar a comunica�‹o pedag—gica; e descrever pr‡ticas educacionais, e seus discursos subjacentes, para se entender as exig�ncias do mundo do trabalho e do ensino em educa�‹o profissional no atual contexto. Portanto, foi apresentada uma base te—rica sobre Linguagem, Comunica�‹o e An‡lise do Discurso, estudos contempor‰neos de Educomunica�‹o, Educa�‹o e Tecnologias.

Segundo Gariglio e Burnier (2012), h‡ uma restrita produ�‹o cient’fica sobre a forma�‹o do docente de educa�‹o profissional. E existe uma perspectiva reducionista nessa modalidade educacional, de que para ser professor de disciplinas, ou ‡reas tecnol—gicas, o conhecimento dos conteœdos se sobrep›e ˆ forma�‹o pedag—gica.

H‡ uma desarticula�‹o entre a educa�‹o regular e a rede de forma�‹o profissional, de acordo com Peterossi (2014), uma vez que, inicialmente, a educa�‹o profissional foi organizada pela pr—pria indœstria, pelo conhecido Sistema S[5]. Desse modo, as institui�›es de forma�‹o profissional desenvolveram uma mentalidade decorrente desse processo educacional, nitidamente empresarial, alŽm de incorporarem procedimentos eminentemente tŽcnicos em sua estrutura e organiza�‹o.

Nos estudos sobre a forma�‹o de professores, para Gariglio e Burnier (2012), discute-se que os saberes docentes n‹o podem ser reduzidos somente ao conhecimento dos conteœdos das disciplinas. No processo de ensino, Ž necess‡rio muito mais do que simplesmente o conhecimento do conteœdo, mesmo que esse conhecimento seja fundamental.

 

[É] a forma como vem ocorrendo a forma�‹o pedag—gica dos professores da EP no pa’s, como algo especial, emergencial, sem integralidade pr—pria, n‹o contribuiu para a constru�‹o de referenciais e diretrizes mais claras sobre um modelo de forma�‹o inicial e continuada que respondesse ˆs especificidades da atua�‹o profissional desses docentes (GARIGLIO; BURNIER, 2012, p. 216).

 

Considerem-se as inova�›es tecnol—gicas que, no contexto contempor‰neo com novos formatos de empresas e novas formas de gest‹o, como as indœstrias 4.0, novos programas de gest‹o comercial e empresarial que exigem mudan�as no perfil do trabalho e do emprego. Essas novas exig�ncias, alŽm do contexto hist—rico e social da educa�‹o profissional e tecnol—gica, constituem um campo de tens›es discursivas que suscitam discuss›es sobre a comunica�‹o docente e o trabalho pedag—gico.

Embora os professores que atuam na esfera da educa�‹o profissional apresentem uma experi�ncia na ‡rea pr‡tica da sua profiss‹o de forma�‹o, no momento em que se inserem em uma institui�‹o de ensino profissional, muitos se apoiam em modelos pedag—gicos conhecidos de outros professores, ou mesmo de suas experi�ncias (TARDIFF, 2014). ƒ poss’vel se observar que profissionais de mercado que t�m muita experi�ncia para compartilharem, n‹o dominam saberes da doc�ncia.

Para Gatti (et al, 2019), a hist—ria da educa�‹o no Brasil revela alguns tra�os persistentes e problem‡ticos, como a dificuldade em se ter professores habilitados para cobrir as demandas da popula�‹o escolariz‡vel, ou ainda, dificuldade para oferecer uma forma�‹o s—lida, alŽm da falta de recursos suficientes para dar a eles condi�›es de trabalho e remunera�‹o adequada. E, ainda de acordo com Gatti (et al, 2019), a hist—ria da forma�‹o de professores no Brasil mostra uma descaracteriza�‹o progressiva desse processo que se reflete no contexto da educa�‹o profissional.

Assim, para o desenvolvimento de uma discuss‹o sobre a linguagens, tecnologias e comunica�‹o nos processos educativos em educa�‹o profissional, adotou-se uma perspectiva de estudo do discurso, que trata das rela�›es de linguagem, como a interdiscursividade[6], da cultura contempor‰nea, das exig�ncias do mundo do trabalho e da educa�‹o. AlŽm disso, foi poss’vel ampliar o debate sobre as rela�›es inter, multi e transdisciplinares[7] das linguagens e tecnologias, bem como, de seus v’nculos na sociedade, a partir de tens›es e valores socioculturais e de suas manifesta�›es no campo educacional.

Nas pr‡ticas sociais, em situa�›es de comunica�‹o, s‹o produzidos v‡rios discursos sobre cidadania, trabalho, igualdade de direitos, ou vontade pol’tica. De acordo com Pais (2007), um œnico e mesmo discurso pode pertencer, simultaneamente, a mais de um universo de discurso, de modo que se caracteriza uma interdiscursividade, por exemplo, um discurso publicit‡rio pode estar inserido num universo de discurso feminino, pol’tico ou educacional.

Ao se adotar essa perspectiva de an‡lise do discurso, Ž poss’vel se observar que as arbitrariedades, formas cristalizadas ou convencionais que nele se apresentam n‹o s‹o unicamente signos, mas processos de significa�‹o. Segundo Fontanille (2008), uma das propriedades mais interessantes do discurso Ž a esquematiza�‹o das representa�›es e experi�ncias humanas. Assim, o estudo do discurso imp›e-se no lugar do estudo dos signos propriamente ditos.

De modo que, nessa discuss‹o, considera-se que o discurso Ž um processo de produ�‹o de sentido, gerado a partir de textos produzidos em uma determinada situa�‹o hist—rica e contexto social, com a finalidade de se criar certos sentidos e de atingir determinados interlocutores. ƒ importante considerar que todo discurso reflete uma ideologia, ou seja, uma forma particular de se ver e de se pensar o mundo (PRADOS et al, 2020).

Todo discurso, de acordo com Prados, Ramirez e Fernandez (2020), pode fazer parte ou ser citado em novos discursos, alŽm de formar parte de uma classe de textos, ou de um corpus textual de uma cultura. Assim, pode-se dizer que todo discurso Ž parte de uma hist—ria de discursos, de modo que se caracterizam, assim, a interdiscursividade ou ideologia, e a intertextualidade.

No desenvolvimento do programa da disciplina proposta, de que se trata neste trabalho, em encontros semanais de quatro horas, houve uma distribui�‹o de temas que abordam a complexidade da forma�‹o e do trabalho docente em educa�‹o profissional, cotidiano da/na escola e da/na sociedade. Foi oportuno perceber que se vive e se produz conhecimento na realidade cotidiana do exerc’cio profissional e da sala de aula, a fim de se refletir sobre o saber vivenciado e compartilhado em um processo cont’nuo de forma�‹o docente.

 

Discursos contempor‰neos e a educa�‹o

 

Neste estudo que se prop™s para o desenvolvimento da disciplina de Linguagem e Pr‡ticas em Educa�‹o Profissional, consideraram-se, primeiramente, os saberes docentes, diante de emerg�ncias contempor‰neas sociais, econ™micas, tecnol—gicas e culturais, de acordo com um conjunto de orienta�›es para o acesso a novas ferramentas de informa�‹o e comunica�‹o dispon’veis, bem como discuss›es sobre comunica�‹o docente e novas metodologias. AlŽm de um outro ponto, que diz respeito ˆ forma�‹o do professor, quanto ao exerc’cio docente e ao uso dessas novas tecnologias, uma vez que esse, via de regra, n‹o foi preparado academicamente, no que se refere ˆs tecnologias de informa�‹o e comunica�‹o contempor‰neas, bem como sua integra�‹o com a realidade para alŽm das salas de aula.

Para isso foi pertinente adotar-se a concep�‹o de discurso, de acordo com a Semi—tica de linha francesa, segundo a qual o discurso Ž visto como resultado de uma express‹o humana que produz representa�›es e experi�ncias. Trata de uma tend�ncia te—rica de an‡lise semi—tica, que se baseia na teoria da linguagem, pois a exist�ncia das coisas somente faz sentido por meio da produ�‹o de um discurso que lhes atribui significados, ou seja, o discurso produz sentido (PRADOS; BONINI, 2017).

Em sua metodologia de an‡lise, segundo Prados e Bonini (2017), essa perspectiva semi—tica n‹o trata somente do signo, mas da significa�‹o, que pode ser entendida como processos de produ�‹o ou de interpreta�‹o de sentidos, que se armazenam na mem—ria, recuperam-se e se transformam permanentemente. Assim a significa�‹o Ž tratada como um percurso, no qual o sentido Ž gerado, ou seja, aquele em que se d‡ a atualiza�‹o de elementos dispon’veis para qualquer produ�‹o discursiva, em quaisquer linguagens verbal, n‹o-verbal ou sincrŽticas. Foram pertinentes, para essa discuss‹o, as contribui�›es dos estudos do discurso educacional, de acordo com essa perspectiva semi—tica discursiva, de Greimas (2001), que possibilita a reconstru�‹o do processo discursivo das pr‡ticas educacionais, para se considerarem os discursos subjacentes ˆ educa�‹o profissional.

Nas pr‡ticas sociais e educacionais, manifestam-se, portanto, os discursos que refletem os sistemas de valores de uma sociedade. A fim de que se possa pensar a educa�‹o profissional contempor‰nea, os anseios e as expectativas dos sujeitos, Ž necess‡rio se pensar o discurso educacional, como um dos discursos constituintes, dotado de maior autonomia e que confere [...] Òsentido aos atos da coletividade, aquilo para alŽm dos quais n‹o h‡ mais do que o indiz’vel. Zonas de falar, entre outras, e falas que se pretendem acima de qualquer outraÓ (MAINGUENEAU, 2008, p. 138).

Segundo Maingueneau (2008), o discurso educacional se organiza em torno de textos de refer�ncia, ligados a institui�›es que garantem sua necessidade de interpreta�‹o e de autoriza�‹o. Entende-se que o discurso educacional sustenta-se em sistemas de valores que, por sua vez, reproduzem, n‹o s— os discursos pol’ticos-educacionais ou pedag—gicos, mas tambŽm outros tantos sobre cidadania, Žtica, vontade pol’tica, atŽ os discursos pol’tico-salariais, de classe etc.

Em rela�‹o ao campo discursivo, a educa�‹o profissional, para Prados (2020), apresenta especificidades de discursos, como o das exig�ncias do mundo de trabalho, do sistema administrativo e, tambŽm, do sistema pol’tico. ƒ recorrente o discurso de que a educa�‹o profissional trata de um sistema de renova�‹o da potencialidade humana para a atualiza�‹o constante e necess‡ria no contexto contempor‰neo de desenvolvimento acelerado de novas tecnologias e de novos paradigmas no mundo do trabalho.

Evidenciam-se, assim, no trabalho docente, essas rela�›es discursivas e interdisciplinares de linguagens e tecnologias, bem como de seus v’nculos na sociedade e de suas manifesta�›es no campo educacional. Segundo Prados, Ramirez e Fernandez (2020), a forma�‹o em educa�‹o profissional se d‡ por variados processos de produ�‹o de sentidos, que se manifestam por meio de linguagens e diferentes processos semi—ticos, como o verbal, o n‹o-verbal, ou sincrŽtico (o visual, o gestual etc.).

Neste estudo sobre a comunica�‹o docente em educa�‹o profissional, a partir de leituras sobre linguagens, tecnologias, discurso, comunica�‹o e educa�‹o, foram relevantes as contribui�›es dos estudos contempor‰neos de Educomunica�‹o. Tais discuss›es s‹o pertinentes no atual contexto, j‡ que o enfoque da comunica�‹o na educa�‹o n‹o deve se limitar apenas ao estudo da m’dia, das ferramentas, das tecnologias que, segundo Kaplœn (2014), Ž uma redu�‹o empobrecedora, pois para esse autor, a Educomunica�‹o compreende a comunica�‹o em processos educativos em que se busca um resultado formativo. ƒ pertinente, na contemporaneidade, o estudo sobre essa perspectiva da comunica�‹o nas pr‡ticas pedag—gicas em educa�‹o profissional, uma vez que a �nfase no processo significa ver a educa�‹o como um processo permanente.

Para essa discuss‹o sobre o campo da Educomunica�‹o, que Ž uma perspectiva interdisciplinar, foram considerados aspectos do discurso, como os processos identificat—rios, pois, segundo Coracini (2003), Ž poss’vel interpretar pontos de identifica�‹o que aparecem pela linguagem, ou vozes constitutivas da subjetividade. A complexidade da identidade Ž marcada pelo outro, por aqueles do conv’vio di‡rio, da cultura local e de outras que causam em n—s, ressignifica�›es, outras identifica�›es pela linguagem (CORACINI, 2003).

E, quando se introduz o aspecto din‰mico das tecnologias emergentes na educa�‹o e na sociedade, a fim de se acompanhar as modifica�›es das coisas no mundo contempor‰neo, pode-se relacionar as consequ�ncias de tais mudan�as no processo educacional e, assim, s‹o pertinentes as contribui�›es da Educomunica�‹o, uma vez que novas experi�ncias t�m provocado mudan�as significativas na constitui�‹o e forma�‹o do sujeito contempor‰neo e, consequentemente, no processo formativo do professor e pr‡ticas docentes em educa�‹o profissional.

 

Comunica�‹o docente, novas tecnologias e pr‡ticas em educa�‹o profissional

 

Em decorr�ncia do surgimento de um novo v’rus, o SARS-CoV-2, ou Covid-19, configurou-se a pandemia, em 2020, que atingiu a todos e exigiram-se novas pr‡ticas em diferentes contextos, no mundo do trabalho em v‡rias e diferentes fun�›es. E, na educa�‹o, o desafio foi a ado�‹o das novas tecnologias, como o uso das m’dias digitais, ferramentas tecnol—gicas, softwares, o que exigiu de todos, docentes e discentes, a quebra de paradigmas tradicionais e a urg�ncia de se repensarem novas pr‡ticas docentes.

Na educa�‹o profissional, espera-se que, segundo Peterossi e Menino (2017), sejam reconhecidas as tend�ncias atuais, ou futuras, e como elas podem impactar a pr‡tica educacional, de maneira que seja capaz de educar para a tecnologia, para a inova�‹o, para o desenvolvimento sustent‡vel e para o trabalho. Assim, Ž necess‡rio que o educador esteja preparado para responder ˆs demandas da sociedade, de mercado e do poder pœblico.

Diante desse contexto, em que as pr‡ticas pedag—gicas e a comunica�‹o docente apresentam novos desenhos, mesmo com o gradual retorno presencial nas escolas, evidencia-se a necessidade da inser�‹o das tecnologias digitais no processo educacional. Revelaram-se problemas quanto ao conhecimento das m’dias digitais e o uso das tecnologias de informa�‹o pelo professor, que atŽ ent‹o se reduziam ao operacional (ALVAREZ; PRADOS, 2020).

Segundo Aparici e Osuna (2014), a educomunica�‹o encontra-se em um contexto de converg�ncia das tecnologias e linguagens midi‡ticas. E destacam a forma como foram inseridas as ferramentas tecnol—gicas dentro dos espa�os educacionais, alŽm de considera�›es sobre o modo como toda a infraestrutura das Tecnologias de Informa�‹o e Comunica�‹o (TIC) Ž usada nas salas de aula de maneira tecnicista. De acordo com esses autores, essa pr‡tica desconsiderou o uso da ferramenta como objeto de estudo e constru�‹o do conhecimento.

Discutiu-se sobre o contexto do isolamento social, em fun�‹o da pandemia, em que os professores se viram obrigados a questionarem suas pr‡ticas. Em educa�‹o profissional, n‹o se Ž poss’vel desvincular a comunica�‹o pedag—gica do contexto socioecon™mico, cultural e tecnol—gico, quanto ˆs demandas do trabalho e ˆ necessidade de intera�‹o por meio das novas tecnologias. E, segundo Aparici e Osuna (2014), o professor precisa ter compet�ncia para acessar a informa�‹o, mas ao mesmo tempo deve ser criador de conteœdo virtual de modo cr’tico.

Para Soares (2006), caracterizam-se novos processos comunicacionais e cognitivos, advindos de um contexto constitu’do pelo ciberespa�o, em que se questionam a educa�‹o formal, a sala de aula e a forma�‹o educacional. Evidencia-se uma conex‹o de saberes, em decorr�ncia dessa hipertextualidade contempor‰nea. Nesse contexto, a exist�ncia do espa�o Ž feita de muitas falas, conhecimento, constru�‹o coletiva e interpreta�›es partilhadas.

Segundo Moura (2017), aprender a aprender na era digital significa ter um papel ativo na pr—pria aprendizagem, saber procurar respostas para as dœvidas, saber acessar a fontes de informa�‹o para extrair dados relevantes, confi‡veis e pertinentes, alŽm de saber trabalhar colaborativamente e ter esp’rito cr’tico, a fim de encontrar solu�›es para os problemas. Assim as estratŽgias pedag—gicas deveriam possibilitar o desenvolvimento de todas essas compet�ncias, para se garantir um elo educativo entre todas as atividades, como um todo integrado e cont’nuo, a fim de proporcionar qualquer avalia�‹o.

Sup›e-se que o ato de aprender possa ocorrer em todas as partes, como na sala de aula, ou no corredor na escola, ou ainda, em casa, em todos os locais onde se possam gerar situa�›es de aprendizagem. Para Moura (2017), todo o alcance das teorias de aprendizagem existentes ainda est‡ por se completar, frente ao potencial dos ambientes sociais e de aprendizagem conectados.

Aprender na era da informa�‹o e do conhecimento, segundo Moura (2017), imp›e desafios. Para a autora, seriam essas teorias suficientes para atender aos princ’pios da aprendizagem e explicar os diferentes processos de aprendizagem em uma sociedade altamente tecnol—gica e conectada? H‡ teorias contempor‰neas que tentam explicar a aprendizagem na sociedade do conhecimento na era digital e Moura (2017) cita, dentre elas, o conectivismo e a aprendizagem ub’qua.

O conectivismo apresenta-se como uma teoria para essa era digital e, segundo Moura (2017), supera as anteriores, segundo a natureza com que se produz o conhecimento em ambientes tecnol—gicos conectados e se baseia na import‰ncia de se gerar conex›es e redes para criar padr›es de informa�‹o. Segundo essa teoria, destaca-se a import‰ncia da forma�‹o de compet�ncias cr’ticas, como a de distinguir uma informa�‹o relevante da que n‹o Ž, alŽm do reconhecimento de quando uma informa�‹o altera o seu contexto e a conex‹o de padr›es. Nesse caso, o professor ensina o aluno a construir sua rede de conhecimentos, bem como aproveitar as oportunidades de aprendizagem, na gera�‹o de novas conex›es.

Quanto ˆ aprendizagem ub’qua, Moura (2017) destaca que qualquer pessoa pode aprender em qualquer momento, ou lugar, independentemente, de ser um processo educacional formal ou n‹o. As novas tecnologias m—veis s‹o a base desse processo, que se baseia na necessidade de se construir um conhecimento colaborativo, critica o tecnicismo da aprendizagem, alŽm de se refor�ar uma pedagogia transformada e transformadora em um ambiente virtual de aprendizagem.

Essas abordagens te—ricas, para Moura (2017), focalizam os alunos no centro da aprendizagem, que pode ocorrer em diferentes contextos sociais. Assim, a elabora�‹o e reelabora�‹o de conceitos n‹o se realizam somente no plano individual, j‡ que a colabora�‹o torna poss’vel que outros possam contribuir para a aprendizagem de todo o grupo. As atividades colaborativas permitem que todo o grupo possa comparar, validar, adaptar ou avaliar suas pr—prias conclus›es. Em um ambiente de colabora�‹o, o aluno pode participar ativamente para a resolu�‹o de problemas com os pares. E o conhecimento se d‡ por meio de um processo din‰mico decorrente de diferentes reestrutura�›es cognitivas e n‹o somente pela simples adi�‹o de informa�‹o.

Uma parte significativa de professores n‹o domina as teorias que fundamentam suas pr‡ticas pedag—gicas, muitos deles nem se veem como mediadores de um processo de ensino e aprendizagem, no entanto s‹o bons profissionais de mercado que atuam em diferentes cursos de forma�‹o profissional (PETEROSSI; MENINO, 2017). Outros professores que lecionam em diferentes institui�›es, como muitas de ensino superior, ou mesmo de ensino tŽcnico ou tecnol—gico da rede particular, tambŽm n‹o tiveram uma forma�‹o espec’fica pedag—gica que os capacitasse para o ensino, pois muitos n‹o s‹o licenciados, s‹o profissionais de mercado.

AlŽm desses problemas, quanto ˆ atividade docente, no que se refere ˆ educa�‹o profissional, no contexto do isolamento social e da imposi�‹o do ensino remoto em fun�‹o da pandemia, os professores viram-se diante de novos desafios, no que se refere ˆ constru�‹o do conhecimento e novas metodologias de ensino. A rela�‹o tempo/espa�o/realidade foi problematizada frente ˆs adapta�›es de suas pr‡ticas. Discutiu-se sobre o ensino remoto, que se diferencia do ensino a dist‰ncia ass’ncrono.

Para Aparici e Osuna (2014), em um tempo marcado pela interatividade, participa�‹o e colabora�‹o observa-se uma desigualdade que promove Ôinfoexclus‹oÕ, que trata de um fen™meno em que se diferencia o uso apenas operacional da tecnologia do seu uso proficiente. Caracteriza-se uma grande lacuna entre o que se trata dentro da escola sobre tecnologias e o que se vive fora dela.

Ao se analisar essa problematiza�‹o da educa�‹o que se caracterizou nesse contexto da pandemia, verifica-se que foi ressignificado o discurso educacional, voltado ao professor de educa�‹o profissional, que pode ser descrito a partir das seguintes modalidades discursivas, segundo Prados e Bonini (2017), um poder-fazer-querer, para se adquirir um poder-saber-fazer (compet�ncia).

De acordo com essa metodologia de an‡lise discursiva, na produ�‹o da significa�‹o desse discurso apreendido pelos professores ao se depararem com a emerg�ncia do ensino remoto s’ncrono, apresentou-se uma necessidade, que pode ser descrita por um poder-fazer-querer que, por sua vez, instaurou um sujeito (professor) de um querer e produziu um sujeito (professor) que precisa adquirir compet�ncia para ser um sujeito de um saber e de um dever.

Ao se retomarem os discursos que constituem o professor, diante do contexto educacional de 2020, foi poss’vel se refletir, tambŽm, sobre o que Ž ser alfabetizado em uma cultura digital, em que estar conectado ˆ rede n‹o Ž o suficiente. ƒ preciso desenvolver compet�ncias que proporcionem aos indiv’duos compreender e dominar a tecnologia, realizando interpreta�›es cr’ticas das diversas (e incont‡veis) fontes de informa�›es.

Foram pertinentes, tambŽm, as considera�›es sobre o contexto digital em que se vive e a relev‰ncia de se desenvolver um pensamento cr’tico sobre os limites das informa�›es que s‹o interiorizadas. Nesse contexto, segundo Aparici e Ozuna (2014), Ž um desafio desenvolver as capacidades listadas para uma efetiva alfabetiza�‹o digital, visto que, ainda h‡ resist�ncia no sistema educativo, quanto ao uso dos ambientes virtuais.

Segundo Gomez (2014), as habilidades espec’ficas para o produto como o trabalho, registros, conhecimentos e para o interc‰mbio requerem esfor�os educativos, pois somente ÒserÓ pœblico, diante das telas n‹o garante resultados esperados. Em verdade a interconectividade Ž um fen™meno que mantŽm os jovens sempre conectados e a v‡rias telas para produzir novos significados. De acordo com Gomez (2014), essa seria a nova forma, ou a forma privilegiada de estar e ser pœblico, saliente-se que essa habilidade n‹o Ž nata e nem autom‡tica. H‡, portanto, a necessidade de destacarem esfor�os educativos para a comunica�‹o.

Diante desse cen‡rio contempor‰neo, essas ideais repercutem em toda a produ�‹o cultural e registre-se tambŽm na educa�‹o formal. Assim a educa�‹o hoje ter‡ que continuar a enfatizar a criticidade ou o pensamento, porŽm na produ�‹o e na emiss‹o, diante de um desafio da educomunica�‹o, que contribui para estimular a criatividade e habilidades necess‡rias para o desenvolvimento das v‡rias compet�ncias como explorar, argumentar e dialogar, bem como a produ�‹o convergente para produtos coletivos, Žticos e solid‡rios.

A educa�‹o voltada ˆ forma�‹o de um pœblico participativo, cr’tico, diante e a partir de diferentes meios de comunica�‹o e de seus conteœdos, segundo Gomez (2014), parece ser uma utopia poss’vel, a partir de um novo pœblico, que seja receptor e produtor ao mesmo tempo. Todavia, para Gomez (2014), ao mesmo tempo que parece poss’vel, demanda, ainda, um longo processo com desafios educativos e comunicativos mais complexos. Para tanto exige-se consenso em novos motivos para educar e novas abordagens pedag—gicas, novos estilos comunicativos, diferentes habilidades a serem desenvolvidas tanto para os educadores como o pœblico contempor‰neo, alŽm de defini�‹o de pol’ticas pœblicas e a implementa�‹o de estratŽgias socioculturais e pol’ticas.

Ao se discutirem pr‡ticas pedag—gicas e a comunica�‹o docente, diante dos desafios impostos no contexto vivido em 2020 e que persiste atualmente, considera-se relevante, o que Gomez (2014) apresenta como Ôa condi�‹o comunicacionalÕ, ou seja, uma converg�ncia, em que um pœblico receptivo e receptor transforma-se em um pœblico, essencialmente produtor e emissor, a fim de se permitir que os participantes envolvidos, mediados pelas telas, desconstruam e reinterpretem. Dessa forma s‹o poss’veis as v‡rias interven�›es pedag—gicas, di‡logos e gera�‹o de conhecimento.

Para Gomez (2014), no ecossistema comunicativo sempre se est‡ em condi�›es de educar-se, de se aprender, de se explorar criativamente as tecnologias contempor‰neas. Assim como o ensaiar, o errar e o descobrir, para se deixar o paradigma da imita�‹o, memoriza�‹o, repeti�‹o ou da c—pia de modelos.

O aprendizado pode acontecer de maneira formal ou informal, mas, segundo Gomez (2014), Ž muito mais do que ensinamentos e nesse momento, transita-se de uma sociedade com sistema educativo para uma sociedade da educa�‹o. E cabe ˆ educa�‹o aprofundar a problematiza�‹o dos conhecimentos entre os usu‡rios, para afinar, situar, completar ou reorganizar os aprendizados dos educandos com as telas.

Para Gomez (2014), as novas tecnologias (telas), como instrumento, os canais e linguagens n‹o s— garantem uma mudan�a cultural, mas um produto de qualidade diferente com a intera�‹o das telas. Ao longo do tempo, haver‡ uma identidade perdur‡vel e flex’vel para ser reproduzida, modificada, trocada ou negociada, j‡ que a intera�‹o com as telas, de certo modo, garante a subsist�ncia no mundo cultural contempor‰neo.

 

Considera�›es finais

 

O estudo da linguagem e pr‡ticas discursivas entre sujeitos no processo educacional, por meio da disciplina Linguagem e Pr‡ticas em Educa�‹o Profissional, possibilitou a percep�‹o de que se vive e se produz conhecimento na realidade cotidiana do exerc’cio profissional da doc�ncia, alŽm de se refletir sobre o saber vivenciado e compartilhado em um processo cont’nuo de forma�‹o docente.

As mudan�as no processo educacional, no contexto contempor‰neo, decorrem da dinamicidade das tecnologias emergentes na sociedade, de modo que foram pertinentes as discuss›es sobre Educomunica�‹o, uma vez que novas experi�ncias t�m provocado mudan�as significativas na constitui�‹o e forma�‹o do sujeito contempor‰neo e, consequentemente, no processo formativo do professor e pr‡ticas docentes em educa�‹o profissional.

No contexto contempor‰neo, evidenciou-se a relev‰ncia da discuss‹o sobre as pr‡ticas pedag—gicas e a comunica�‹o docente, diante dos desafios vivenciados ainda atualmente, que exigiram novas abordagens pedag—gicas e diferentes habilidades, tanto para os educadores como para os educandos.

A educa�‹o profissional se configura em um cen‡rio em que se manifestam diferentes discursos e processos de identifica�‹o dos sujeitos e em que as exig�ncias das tecnologias contempor‰neas imp›em desafios ao processo de ensino-aprendizagem que, por sua vez, envolve novas a�›es e metodologias, na produ�‹o do conhecimento e no saber-fazer educacional.

Ao se reiterar o saber-fazer, frente aos desafios e emerg�ncias, a atualiza�‹o do docente incorpora fatos e significados que surgem com a experi�ncia cotidiana na aplica�‹o de pesquisas cient’ficas sobre educa�‹o e estudos contempor‰neos em comunica�‹o, para se discutir a linguagem e as pr‡ticas pedag—gicas em educa�‹o profissional. O discurso educacional, hoje, trata da import‰ncia do saber em uma sociedade, em que a realidade de como as novas tecnologias s‹o tratadas na educa�‹o evidencia a necessidade de se pensar sobre mudan�as no paradigma da produ�‹o e divulga�‹o do conhecimento, bem como da necessidade da (res)significa�‹o dos saberes e comunica�‹o docente.

ƒ evidente a velocidade das transforma�›es, decorrentes da imposi�‹o das novas tecnologias ˆs mais variadas tarefas humanas, no trabalho e na educa�‹o e, por isso, n‹o cede espa�o para se explorar os acontecimentos com facilidade, apenas do ponto de vista percepto-cognitivo. Nesse sentido, tudo se transforma aceleradamente, o que deixa clara a necessidade de se discutir os fins da educa�‹o contempor‰nea, em sintonia com essas novas tecnologias e a comunica�‹o.

 

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Recebido em 18/06/21

Aprovado em: 25/08/21

 



[1] Professora doutora, pesquisadora do Programa de P—s-Gradua�‹o no programa de mestrado em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional, do Centro Estadual de Educa�‹o Tecnol—gica Paula Souza (CEETEPS).  çrea de Educa�‹o Profissional e Tecnol—gica. E-mail: rosalia.prados@gmail.com ORCID: http://orcid.org/0000-0003-2138-8422

[2] Doutor em Educa�‹o pela Universidade Mackenzie; professor pesquisador do programa de mestrado em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional do Centro Estadual de Educa�‹o Tecnol—gica Paula Souza (CEETEPS).  E-mail: roram1000@hotmail.com  ORCID: http://orcid.org/0000-0001-8468-2851

[3] Mestranda no programa de mestrado em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional, do centro estadual de educa�‹o tecnol—gica Paula Souza. E-mail: cassiagasparinadv@gmail.com ORCID: http://orcid.org/0000-0003-0134-7201

[4]Mestranda do programa de mestrado em Gest‹o e Desenvolvimento da Educa�‹o Profissional do Centro Estadual de Educa�‹o Tecnol—gica Paula Souza (CEETEPS).  E-mail: julianaslamas@gmail.com ORCID: http://orcid.org/0000-0001-5431-5153

 

[5] O Sistema S constitui-se de institui�›es administradas de forma independente por federa�›es e confedera�›es empresariais dos principais setores da economia. ÒApesar de prestarem servi�os pœblicos, essas entidades n‹o est‹o ligadas a nenhuma das esferas de governo. Est‹o no grupo, tanto institui�›es voltadas ˆ educa�‹o profissional [SENAI, SENAC], quanto outras voltadas a presta�‹o de servi�os ligados ao bem-estar social [SESC, SESI]Ó (BRASIL, 2020).

[6] Rela�›es entre discursos, atualiza�‹o de um discurso para uma situa�‹o nova (MAINGUENEAU, 2008).

[7] Rela�›es inter, multi e transdisciplinares, o discurso apresenta-se como dimens‹o atualizadora de resultantes parciais, a fim de fomentar interc‰mbios de a�›es interdisciplinares na produ�‹o ativa do conhecimento humano (BASSIT, 2010).